segunda-feira, 9 de julho de 2018

Os professores estão sangrando

Os professores estão sangrando


O que esperar de uma nação que não valoriza a educação? Quais perspectivas de futuro podemos esperar tendo por base a qualidade da educação que temos? Como ter esperança em um país que simplesmente renega os profissionais que deveriam cuidar da educação?

São tantos os questionamentos que poderíamos escrever um texto só com perguntas. Mas a ideia não é esta e sim propor uma reflexão sobre como os nossos governantes estão tratando os profissionais que lidam com a educação e por consequência o que podemos esperar dos dias vindouros.

Ser professor no Brasil não é uma tarefa fácil, temos um salário baixo, indigno para a profissão; não temos auxílio de nenhuma espécie; em muitos lugares os professores são proibidos de comerem da merenda escolar; os professores que trabalham em distritos ou zona rural ao deslocarem para o ambiente de trabalho não recebem nenhum auxilio, portanto, pagam para trabalhar; as escolas, na maioria das vezes, não oferecem o básico de condições didático-pedagógicas para o verdadeiro exercício do magistério, mas criam intermináveis formulários para serem preenchidos, como forma de alimentar a burocracia inútil do Estado; as cobranças são cada vez maiores e em muitos casos chegam ao absurdo da imoralidade, um verdadeiro assédio moral. Sem falar no abandono do Estado e da própria sociedade, que prefere alimentar-se da ignorância.

Em meio a este caos desesperador vive o professor. Confesso que não comungo e nem almejo regalias, apenas o que é justo. E nada mais justo que pelo menos recebamos em dia, que tenhamos condições de trabalho e que no mínimo as pessoas acreditem que a educação é capaz de mudar as suas próprias vidas. Mas que utopia?!

Tenho uma sugestão para fazer aos nossos governantes: fechem as escolas, acabem com os cursos superiores de formação de professores, demita-os, não possibilitem mais a existência de qualquer prática educativa, permitam que a sociedade viva de acordo com suas vontades e desejos: sem escola, sem professor, sem educação. Assim, o Estado, poderá economizar e ter dinheiro para gastar nas suas consideradas verdadeiras prioridades e a sociedade aprenderá e sentirá na pele o que significa viver em um país de analfabetos.

Os professores estão sangrando, não aguentamos mais o abandono, o desleixo, as chacotas, as piadinhas, não suportamos mais sermos tratados como inúteis, como um fardo para o Estado e sociedade. Às vezes é necessário perder para valorizar, então percamos de fato a educação, fechemos as escolas.

Só não esqueçamos que quando o dente doer, as doenças chegarem, as dores ficarem fortes, as tecnologias se tornarem obsoletas, e tantas intermináveis situações aflorarem, não terá ninguém para simplesmente poder fazer nada, pois afinal a educação não vale nada!

Walber Gonçalves de Souza é professor e membro das Academias de Letras de Caratinga (ACL), Teófilo Otoni (ALTO) e Maçônica do Leste de Minas (AMLM).

domingo, 17 de junho de 2018

O defundo, o frango e a macarronada

charge - O defundo, o frango e a macarronada

Maria era casada com João e moravam em uma pequena cidade do interior de Minas Gerais. Vida tranquila, em um lugar pacato, daqueles onde todos se conhecem. Ela, branca, ele, negro e, os filhos, uma mistura dos dois. Ele era motorista e, ela, uma cozinheira de mão cheia. Ninguém fazia um frango assado e uma macarronada como Maria fazia. O interessante é que tinha algo muito especial em seu jeito próprio de preparar os quitutes: ela usava muito as mãos ao cozinhar. Talvez, aquela macarronada só ficasse tão boa porque ela misturava o molho à massa, com as mãos. Chegava a ser bonito ver suas mãos trabalhando em uma bacia, levantando o macarrão com as duas mãos, em um movimento continuo, fazendo com que o molho se espalhasse, de forma homogênea, na bela macarronada. O frango? Ora, era partido com as suas próprias mãos. Aos poucos, coxas, asas, peito, enfim, cada parte do frango, ia se acomodando na vasilha, devidamente separados pelas mãos de Maria.

A vida corria lenta e tranquila para Maria e João. No domingo – ou quando chegava uma visita – lá ia a dona da casa preparar uma boa macarronada e um delicioso frango assado. Às vezes, vários frangos eram assados e muitos pacotes de macarrão cozidos, quando a família resolvia visitá-los. Mas, infelizmente, um dia João adoeceu e partiu dessa pra melhor. O enterro foi marcado para o início da tarde e, logo pela manhã, as pessoas começaram a chegar para o velório. Era muita gente, pessoas de perto e de longe, amigos, familiares e curiosos, comuns em cidades do interior de Minas, que chegam a chorar por defunto que mal conhecem.

Pois, bem, no caixão, inerte, lá estava João, com aquela cor negro-pálida, meio amarelada mesmo, deixando seus amigos e familiares tristes, muito tristes. Maria, chorosa, sentia falta do companheiro de tantos anos. Por volta das dez horas, a multidão presente na casa e na calçada, da casa de Maria, era muito grande. Maria, preocupada com o avanço das horas e o roncar dos estômagos, começou a dividir sua presença entre a sala – onde estava o caixão – e a cozinha. E assim, entre as dez horas da manhã, ao meio dia, daquela triste e ensolarada manhã, Maria não parou um segundo.

Impressionante como a viúva conseguia, com grande maestria, dividir os sentimentos de viúva chorosa com os de cozinheira prendada, ágil e preocupada em servir. De vez em quando Maria chegava à sala, se debruçava sobre o caixão, passava as mãos no rosto do marido, chorava e soluçava, para, em seguida, dirigir-se à cozinha e dar continuidade ao preparo de sua maior especialidade: a macarronada com molho vermelho e o frango assado.

João, inerte naquele caixão, aos poucos foi perdendo aquela cor amarelada, em uma pele opaca, morta. No começo, começou a aparecer um pouco de brilho e a pele, devagar, foi ganhando um pouco de cor. Por volta de meio dia, quando todos foram convidados a almoçar, a área da cozinha e o terreiro, nos fundos da casa, ficaram pequenos para tanta gente. Na sala, poucos ficaram ao lado do caixão de João que, naquele momento, estava corado, como se estivesse vivo. Poucas vezes se viu um defunto com tanto brilho, em uma face mais que rosada… João estava com a face avermelhada e brilhando, como se tivesse acabado de chegar da labuta, depois de ter tomado muito sol.

Na cozinha, todos saboreavam o frango – sempre partido pelas mãos ávidas de Maria – e a macarronada, também misturada com as mãos da viúva. É possível, que naquele dia, o frango tenha ficado com menos gordura e a macarronada com menos molho vermelho, face à quantidade deixada, por Maria, no rosto e nos braços do amado, a cada vez que chorava sobre o seu corpo.

O evento mostra o efeito que uma camada de óleo pode fazer para melhorar a aparência de um defunto… Imagine o que anda fazendo o óleo de peroba nessa turma cara de pau da política brasileira….!

Eugênio Maria Gomes é professor e pró-reitor do Centro Universitário de Caratinga – Unec -, diretor da Unec TV, membro das Academias de Letras de Caratinga e Teófilo Otoni e presidente da AMLM – Academia Maçônica de Letras do Leste de Minas. Membro da Loja Maçônica Obreiros de Caratinga, do Lions Clube Caratinga Itaúna e do MAC – Movimento Amigos de Caratinga. É o Grande Secretário de Educação e Cultura do GOB-MG.

sexta-feira, 15 de junho de 2018

Intervenção cultural

Intervenção cultural


Entre os inúmeros ditados populares há um que conota o sentido da persistência, refiro-me ao ditado que diz que “água mole em pedra dura tanto bate até que fura”.

Neste tocante, mesmo não sendo novidade nenhuma, voltarei a destacar o valor da educação e da cultura. Ainda mais, pelo que parece, vivemos um tempo tenebroso de ideias, de paradigmas, de justificativas… a sociedade demonstra estar sem direção, sem discernimento, sem equilíbrio, sem conhecimento.

Juntando a este cenário tantos outros pontos que prefiro não relatar, podemos afirmar sem medo de errar, que precisamos passar a viver uma intervenção cultual urgente. Não é possível mais aceitar uma sociedade tão pobre de valores culturais.

Precisamos acreditar nas mais variadas manifestações artísticas, culturais e educacionais. Precisamos valorizar tudo aquilo que nos permite ser um ser humano melhor e somente a cultura é capaz de proporcionar tal feito.

Como não quero que este texto caia nas graças do politicamente correto, quando digo que precisamos de uma intervenção cultural urgente, penso que ela seja de qualidade e que propague a dignidade humana; pois sabemos que existem algumas manifestações culturais que estimulam justamente o contrário, propagam a decadência humana em todos os seus sentidos.

A intervenção cultural que acredito é aquela que valoriza não somente a escola, mas uma escola de qualidade que possibilita a integralidade do ser; não somente o artista, mas aquele que demonstra o espírito de responsabilidade social; não somente o esporte de ponta, a exemplo do futebol, mas tantos outros que agregam as crianças e os jovens dos cantos e recantos das cidades em uma prática cotidiana e que o incentivará a se tornar um cidadão de fato.

A cultura precisa ser estimulada, precisa ser oferecida, precisamos urgentemente de espaços culturais, de fomentar o lazer cultural. Como diria um trecho da música do Titãs, “a gente não quer só comida, a gente quer comida, diversão e arte”.

O ser humano sem cultura é um ser que não saberá usar sua racionalidade, que não reconhecerá a importância de sua própria espécie na face do outro. O ser humano sem cultura permanecerá tolo e dependente das migalhas governamentais. O ser humano sem cultura será sempre uma presa fácil. Como diria Bertolt Brecht, um eterno imbecil.

Se realmente a “água mole em pedra dura tanto bate até que fura” e fazendo uma analogia ao ditado posso dizer que: cultura sadia em humano bruto tanto enobrece até que engrandece.

Todavia, voltando aos Titãs, precisamos de comida todos os dias, mas de arte e cultura também. A comida é o alimento do corpo, a cultura é o alimento da mente. Uma sem a outra nada vale. As duas juntas fazem do ser humano um ser verdadeiramente humano.


Walber Gonçalves de Souza é professor e membro das Academias de Letras de Caratinga (ACL), Teófilo Otoni (ALTO) e Maçônica do Leste de Minas (AMLM).

quinta-feira, 14 de junho de 2018

Quando a mudança é a única certeza

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Seria mais um dia normal pro nosso herói, mas a vida é feita de caminhos que, às vezes, não entendemos. Adão já trabalhava há anos naquela indústria vital, sombreada por palmeiras imperiais. Porém, sentia que precisava voar mais alto. Um homem de coração indomável não consegue ficar sem conhecer novas terras, ares e mares.

Ele já sentia desde alguns meses que seu ciclo estava chegando ao final. Sua amada também pressentia que os tempos estavam mudando, mas não comentava; apenas o corpo gritava. O que é do homem, o bicho não come.

Nosso protagonista era o que podemos chamar de “popular na cidade”. Todos o conheciam e ele conhecia a todos. Apesar de ser um simples, feliz e humilde operário, muitas vezes era benquisto por aquela comunidade, o que aumentava sua satisfação.

Muitos poderiam se sentir acomodados com tal situação: estabilidade, vida social bem movimentada e o seu setor na fábrica ia muito bem. Sabe quando as coisas só davam certo? Era a vida do pacato operário. Ao final de um dia de trabalho, era costume “ligar” a obra com uma tríplice argamassa. Sempre terminava o expediente contente e satisfeito.

Mas naquele dia seria diferente. Durante a jornada, sentiu uma aceleração estranha no coração. Aí veio a notícia da promoção. A princípio, veio uma alegria e uma leveza no espírito. Quem não gosta de ser promovido? Só maluco. Mas Adão não era maluco. Tá bom. No máximo, um maluco-beleza, bem de leve, apesar de seu peso.

A comemoração dos colegas foi bacana: uns cumprimentavam dando parabéns e outros ficaram de boca aberta sem entender nada, pois acreditavam piamente que o cidadão iria ficar eternamente na mesma unidade da fábrica a vida inteira, no mesmo setor e apertando os mesmos parafusos. Ele respeita quem tem essa visão, mas ele queria respirar (e voar em) novos ares, desbravar novas terras e navegar em outros mares. Adão acredita que mar tranquilo não faz bom capitão.

Após o rompante de felicidade, ele começou a pôr os pés no chão e raciocinar na frase do Tio Ben: “Grandes poderes trazem grandes responsabilidades”. Com a cabeça mais calma, iniciou sua reflexão de tudo que já tinha percorrido até o momento naquela indústria vital e pensou no que seria a sua carreira dali pra frente. Nesse “mundão doido”, a carreira profissional tem se mostrado um verdadeiro labirinto e está cada vez mais difícil cavar seu espaço no mercado.

A jornada é difícil, mas as recompensas são proporcionalmente boas (na maioria das vezes). Há que se trabalhar muito para se obter sucesso. E isso o destemido Adão fazia. A sua rotina era pesada, era rotina de campeão, era rotina de correria, máquinas com barulho ensurdecedor, linha de produção com metas desafiadoras, indústria pesada, mas ele fazia tudo com toda alegria possível. Nunca apertou um parafuso sem dar um sorriso. Parece estranho (ou mentira), mas é verdade.

E lá se foi Adão, nosso bom camarada, rumo à nova filial. Agora não iria apenas apertar parafusos. Aliás, não sabia nem onde ficava a cidade onde trabalharia. Só sabia que iria para longe dos amigos e da família. Mas, antigos gurus o haviam preparado muito durante os anos passados para quando este dia chegasse.

Espirituoso e espiritualista que era, Adão confiou em Jesus o transporte da mobília. Encheu o caminhão de mudança do jeito que deu e partiu rumo à cidade “daquele que corre”. A fiel companheira foi junto, a inseparável mulher de Adão (um dia contaremos seus causos). Chegaram naquela terra até então desconhecida, mas puderam notar que tinha um sol nascente muito bonito, acima da média. O povo e os colegas de fábrica receberam com muita alegria e cortesia o jovem casal.

Em breve, teremos mais notícias (sempre boas) do nosso amigo. Na sua despedida do antigo local de trabalho disseram que a saudade é o amor que fica. Ele respondeu que a gratidão é a memória do coração. Agora, sua função é ser líder e relata que ser líder é formar novos líderes e espalhar esperança. Mas a esperança é o amor em movimento. Entendam como quiserem. Esse Adão… Nunca entendi a cabeça dele!

JOSÉLLIO CARVALHO é membro fundador da AMLM, jornalista, escritor, telespectador e pedestre.

domingo, 10 de junho de 2018

1º Concurso Literário da A.M.L.M. - Prêmio Prof. Antônio Fonseca da Silva - Crônicas


EDITAL Nº 01/2018

I CONCURSO LITERÁRIO DA ACADEMIA MAÇÔNICA DE LETRAS DO LESTE DE MINAS
PRÊMIO LITERÁRIO PROF. ANTÔNIO FONSECA DA SILVA - CRÔNICAS
REGULAMENTO

I – Do objetivo
A Academia Maçônica de Letras do Leste de Minas – AMLM, por meio da sua Diretoria, torna público o presente Edital de Lançamento do Prêmio Literário “Prof. Antônio Fonseca da Silva” – Crônicas, que tem como objetivo estimular a produção literária e incentivar a cultura, premiando o gênero literário: Crônicas.
II – Das condições de participação
1. Poderão participar do I Prêmio Literário “Prof. Antônio Fonseca da Silva” brasileiros de todas as idades, residentes em qualquer parte do Brasil, com trabalhos (crônicas) escritos em língua portuguesa.
2. O texto apresentado deverá ser rigorosamente inédito, seja na forma impressa, seja na forma eletrônica.
3. Não serão aceitas obras póstumas nem assinadas por grupos.
4. É vedada a participação de membros efetivos e correspondentes da AMLM – Academia Maçônica de Letras do Leste de Minas, sendo permitido, no entanto, a participação de familiares.
5. Cada concorrente poderá participar com apenas 1 (um) texto, sendo vedada a coautoria. 
6. Os trabalhos deverão ser enviados, nos formatos world e PDF, exclusivamente, por meio eletrônico, através do e-mail academiamlm@outlook.com, com o título “Participação no I Concurso Literário da AMLM”. Deve ser anexado ao arquivo folha à parte contendo o nome, endereço eletrônico, telefone para contato, uma breve apresentação do autor – no máximo 8 linhas – e uma foto do autor em JPG.
6. A escolha dos temas nesta convocação será livre.
7. Os autores deverão utilizar fonte Times New Roman tamanho 12, com espaçamento 1,5 entre as linhas e todas as margens medindo 3 cm. As crônicas não poderão exceder 2(duas) páginas.
III – Do calendário para inscrição
1. O concurso será constituído das seguintes etapas:
01 - Lançamento do Edital, em 9 de junho de 2018;
02 - Período de divulgação do Edital: 10 de junho até 10 de agosto de 2018;
03 - Período de inscrição online, via e-mail academiamlm@outlook.com de 10 de junho até 20 de agosto de 2018;
04 - Análise dos textos: 20 de agosto até 20 de setembro de 2018;
05 - Divulgação do resultado preliminar: até 30 de setembro de 2018;
06 - Recebimento de recursos online: até 72 horas após o resultado preliminar;
07 - Avaliação dos recursos: até 10 de outubro de 2018;
08 - Divulgação final dos resultados: até 15 de outubro de 2018.
09 - Serão automaticamente desconsiderados os textos que chegarem ao e-mail após o dia 20 de agosto de 2018.
IV – Da seleção
1. O julgamento será feito por uma comissão julgadora composta por intelectuais de saber amplamente reconhecido e comprovado em literatura, não pertencentes aos quadros da AMLM.
2. A avaliação dos textos será realizada com base nos critérios de originalidade, criatividade, qualidade técnica empregada e respeito à formatação e limitação de caracteres especificadas no item 7, da parte II.
3. As decisões da comissão julgadora serão irrecorríveis.
4. Serão selecionados 03 (três) textos, os quais serão publicados no primeiro número da Revista Literária da AMLM, cuja data de lançamento será informada posteriormente aos vencedores, momento em que os laureados no concurso serão premiados.
5. Os resultados serão divulgados na página eletrônica da Academia Maçônica de Letras do Leste de Minas -https://www.facebook.com/academiamadeletras/ e, também, através dos e-mails informados pelos autores.
V – Da premiação
1. O autor classificado em primeiro lugar receberá o diploma de participação da AMLM e a Medalha “Prêmio Literário Prof. Antônio Fonseca da Silva”, borda ouro.
2. O autor classificado em segundo lugar receberá o diploma de participação da AMLM e a Medalha “Prêmio Literário Prof. Antônio Fonseca da Silva”, borda prata.
3. O autor classificado em terceiro lugar receberá o diploma de participação da AMLM e a Medalha “Prêmio Literário Prof. Antônio Fonseca da Silva”, borda bronze.
VI – Das disposições finais
1. Ao inscreverem-se, os participantes concordam em ceder os direitos autorais dos textos à AMLM, para publicação ou divulgação por meio eletrônico.
2. A AMLM não será responsável por nenhuma despesa referente ao comparecimento dos participantes à cerimônia de premiação.
3 - A Diretoria da AMLM é a realizadora deste concurso.
4. Após o término do concurso, os textos recebidos não serão devolvidos.
5. A participação neste concurso implica aceitação total e irrestrita de todos os itens deste regulamento.
6. Casos omissos serão resolvidos pela comissão julgadora.

Caratinga (MG), 9 de junho de 2018




Prof. Eugênio Maria Gomes – Presidente
Prof. Geraldo Elísio Fontoura de Oliveira – Secretário.






Reunião da A.M.L.M. em Governador Valadares



A Academia Maçônica de Letras do Leste de Minas reuniu-se, em sessão ordinária, em Governador Valadares, uma das cidades que compõem a região de atuação da Academia.

O encontro aconteceu no templo da Loja Maçônica Mestres do Vale e a organização do encontro ficou por conta dos confrades Thales Aguiar e Álvaro Cesar. Presentes, o venerável da Loja – Carlos Augusto de Menezes - e o coordenador do GOB-MG, Paulo Henrique -, além de cunhadas, sobrinhos e irmãos.

Foram distribuídos livros às lojas presentes e todos puderam usufruir da apresentação de uma excelente Peça Literária, apresentada pelo orador, Geraldo Lins. Na oportunidade foram lançados os editais para entrada de membros efetivos e correspondentes e do concurso literário “Prêmio Professor Antônio Fonseca da Silva”. Cobertura da Unec TV, com Vanderlei Otoni e Noélia.

A próxima reunião já ficou agendada para o dia 11 de agosto, em Caratinga e a apresentação da Peça Literária será de responsabilidade do Vice-presidente da AMLML, Marcos Barbosa.














quarta-feira, 30 de maio de 2018

Crônica - A greve dos caminhoneiros

rodas-caminhões

O tema central desta crônica é a paralisação dos caminhoneiros, um movimento iniciado no dia 18 de maio de 2018 e que acabou colapsando vários setores do país. Vamos a alguns pontos desse importante acontecimento.

A PROFISSÃO CAMINHONEIRO - Ela normalmente era lembrada, apenas, quando reclamávamos da quantidade de caminhões nas estradas e, vez ou outra, por conta da maneira de dirigir de alguns motoristas. Acabou sendo mais conhecida – e mais valorizada – a partir do momento em que o caminhoneiro resolveu parar o seu caminhão.

A FORÇA DAS REDES SOCIAIS - O caminhoneiro utiliza, rotineiramente, o sistema de rádio para conversar com os seus colegas, para fazer contatos com as empresas etc. Dessa vez, as redes sociais fizeram o seu papel como veículo de comunicação e possibilitaram que todos os caminhoneiros parassem, praticamente, ao mesmo tempo.

A IMPORTÂNCIA E O EFEITO DA GREVE - Há muito, não ouvíamos falar em uma greve que, realmente, chamasse a nossa atenção. Essa foi diferente e mexeu com o cotidiano de todos nós, provocando o descongestionamento das ruas, a paralisação de escolas e o desabastecimento de feiras e mercados.

A EQUIPARAÇÃO DE CLASSES SOCIAIS - É como se tivéssemos vivido, por alguns dias, situação análoga àquela que vivem as pessoas na maior parte dos países com governos populistas: ficamos todos sem combustível, com acesso restrito à comida, aos remédios e ao transporte. Fomos nivelados... Por baixo, mas nivelados.

A MEXIDA NA ZONA DE CONFORTO DOS POLÍTICOS - Ainda não tínhamos visto um movimento incomodar tanto os políticos, em todas as esferas dos poderes. Que outra greve você se lembra de ter tirado senadores, deputados, governadores, ministros e o próprio presidente, de seus confortáveis ambientes, em pleno fim de semana, para ouvir reivindicações e propor acordos?

A CONSTATAÇÃO DO INDIVIDUALISMO E DO EGOÍSMO SOCIAL DO BRASILEIRO - Não obstante a operação, coordenada pelos caminhoneiros, ter em sua pauta questões que extrapolaram seus interesses, a população respondeu com “eu acho que é isso mesmo”, mas, correu para os postos de gasolina, para os supermercados e farmácias e compraram insumos em quantidades muito superiores às suas necessidades. Tem gente que comprou vários carrinhos no supermercado, de produtos que certamente irão perder a validade em seus armários, e deixou o vizinho, o amigo e até o parente sem ter nada o que adquirir.

O APRENDIZADO PELAS ENTIDADES CLASSISTAS - Professores, médicos e muitos outros profissionais precisam aprender com os caminhoneiros qual é o ponto chave que, de fato, faz com que os governantes sejam rápidos na negociação e nas propostas para o fim da greve.

A FORÇA DO TRABALHADOR AUTÔNOMO - Os sindicatos fizeram o primeiro acordo e, quando tudo parecia estar resolvido, com as grandes empresas transportadoras beneficiadas, o caminhoneiro autônomo respondeu: “quem acordou não me representa. Se o governo quiser negociar terá de ouvir as nossas reivindicações”.

A CARONA AOS PARTIDOS E AOS POLÍTICOS - Como toda greve que se preza, esta, também, cumpriu o seu papel de se tornar vitrine para partidos e candidatos, ávidos em pegar carona em um movimento legítimo, popular. A esperança é a de que o eleitor esteja mais atento aos usuais aproveitadores de suas mazelas.

O PEDIDO DE INTERVENÇÃO QUE OS MILITARES NÃO QUEREM - Em praticamente todas as imagens da manifestação, lá estava uma faixa pedindo a intervenção militar. Fala sério... Se militar quisesse tomar o poder já o teria feito, pois o que não faltam são razões mais importantes do que o preço do combustível. Assumir esse governo abacaxi têm poucos querendo e, a maioria dos que o deseja, está de olho em seu próprio umbigo. Os militares estão querendo o que todos os outros profissionais brasileiros desejam: condições dignas para exercerem suas funções. Realmente tenho dificuldade para entender o que leva uma pessoa, minimamente bem informada, a propor, nessa altura dos acontecimentos, um golpe militar no Brasil... Enfim, há gosto para tudo.

Aos caminhoneiros, os nossos parabéns e o nosso respeito. Só não esqueçam que nos finalmente, o interesse de uma categoria, por mais legítimo que seja, acaba tendo que ceder diante do interesse coletivo, mas, de fato, mostraram mesmo que o Brasil tem jeito. No entanto, é preciso cuidado para não passar do ponto. Talvez, o melhor nesse momento, seja seguir viagem. 

A GREVE DOS CAMINHONEIROS - Coluna "COMEÇO DE CONVERSA"
Matéria publicada no DIÁRIO DE CARATINGA em 30/5/2018

Eugênio Maria Gomes é Diretor da Unec TV, professor e Pró-reitor de Pesquisa, Pós-graduação e Extensão do Centro Universitário de Caratinga. É membro das Academias de Letras de Caratinga e Teófilo Otoni, do Lions Clube Caratinga Itaúna, do Movimento Amigos de Caratinga e da Loja Maçônica Obreiros de Caratinga. É o presidente da Academia Maçônica de Letras do Leste de Minas e é o Grande Secretário de Educação e Cultura do GOB-MG.