sexta-feira, 18 de maio de 2018

O prédio caiu!

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Recentemente um prédio, ou melhor um imenso prédio, pegou fogo e em chamas veio a desmoronar na maior metrópole da América Latina: a capital paulista São Paulo. O acontecido poderia ter sido cenas de um roteiro cinematográfico de um filme de ficção ou terror, pela tragédia ocorrida, mas infelizmente tratava-se de cenas da vida real.

O que talvez não tínhamos notado, pela nossa inércia ou alienação social, é que aquele prédio já havia se desmoronado a muito tempo. Se na gíria popular, quando dizem que a “casa caiu” é porque alguém é pego e/ou descoberto pela polícia, metaforicamente ousarei dizer que “o prédio caiu”, representa em pequena escala tudo aquilo que vem acontecendo de mais podre e sórdido com a nossa nação e que também se desmascarou no triste episódio.

O prédio se desmorona a cada dia quando no jogo do empurra-empurra dos poderes públicos, ninguém tomava de fato uma providência para resolver o problema. No Brasil da burocracia e do politicamente correto tampar o sol com a peneira vem sendo sempre o caminho escolhido.

O prédio se desmorona a cada dia quando a contribuição mensalmente paga ou poderíamos chamar também de “propina ilegalizada do lar” era desviada para atender as intenções do(s) líder(es) e seus parceiros no dito movimento social também envolvido na questão.

O prédio se desmorona a cada dia quando a sociedade não quer resolver seus problemas, quando de excluídos aquelas pessoas se tornam invisíveis sociais. Portanto, se aquele prédio não tivesse caído, ninguém se importaria com aquelas pessoas. Continuariam ali como indigentes, como invisíveis, como “ninguém” pelo resto das suas vidas. Simplesmente alimentando a riqueza de alguns que vivem justamente da miséria deles.

O prédio se desmorona a cada dia quando de fato não observamos no país um projeto decente de habitação pública que não tenha por objetivo ser uma forma de lavagem de dinheiro para financiar a maldita corrupção. Dinheiro que vai para o ralo sem nenhum retorno social.

O prédio se desmorona a cada dia quando as construções públicas ficam abandonadas, à mercê da sorte, das intempéries, das invasões, da má utilização, gerando prejuízos aos cofres públicos e deixando de ser melhor aproveitadas.

O prédio se desmorona a cada dia quando fingimos que somos uma nação. Uma nação rica que trata aquele que deveria ser o centro das atenções, o cidadão, como um nada.

O prédio caiu! Agora, o pior de tudo é saber que depois da comoção, que por ser no Brasil vai passar muito rápido, algum esperto vai aproveitar para tirar alguma vantagem de tudo isso e rapidinho a vida voltará ao normal como se nada tivesse acontecido, e todos nós na expectativa de qual e como será a próxima tragédia nacional, para começar a lenga-lenga toda outra vez.

Walber Gonçalves de Souza é professor e membro das academias de Letras de Caratinga (ACL), Teófilo Otoni (ALTO) e Maçônica do Leste de Minas (AMLM).

quarta-feira, 16 de maio de 2018

Plágio nos dias atuais

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"Na era da internet, para quem tem a coragem de copiar e divulgar obra alheia como se sua fosse, praticando o plágio, ficou muito mais fácil de realizar tal trabalho sujo, mas também muito mais fácil de ser descoberto."

Um fato que sempre incomodou quem gosta de escrever, sendo escritor renomado, um simples articulista do interior, um músico famoso, um músico anônimo ou um pesquisador, dentre outros, é a ocorrência de plágio.

Na era da internet, para quem tem a coragem de copiar e divulgar obra alheia como se sua fosse, praticando o plágio, ficou muito mais fácil de realizar tal trabalho sujo, mas também muito mais fácil de ser descoberto.

E o que vemos hoje são plágios de todos os tipos: em trabalhos escolares, em pesquisas científicas, em trabalhos de conclusão de cursos superiores, em artigos publicados em jornais, revistas, redes sociais, na música etc.

O plágio é crime de violação de direito autoral, previsto no artigo 184 do Código Penal Brasileiro, no Título que trata dos crimes contra a propriedade intelectual, cuja sanção é uma pena de detenção de 03 (três) meses a 01 (um) ano, ou multa, havendo, ainda, a majoração considerável da pena nas hipóteses previstas nos parágrafos 1º e 2º do citado artigo.

Além de crime, o plágio é uma atitude leviana por parte do plagiador, que age desonestamente contra o verdadeiro autor, utilizando-se de muita malícia e bastante dissimulação.

É certo que o plagiador é um falsário e frustrado, que tenta demonstrar um conhecimento que não tem, seja para impressionar; para angariar admiradores; para captar cliente ou simplesmente para satisfazer seu ego sujo, sempre com a certeza de que jamais será descoberto. E é aí que muitos são desmascarados.

Infelizmente, ao invés de escreverem o que sabem ou pensam, os plagiadores se enveredam pelo caminho da falácia e o ato de plagiar, vira hábito, passa a ser coisa rotineira. Não tem a mínima honorabilidade de citar a fonte quando copiam frases, parágrafos ou até textos inteiros.

A prática do plágio tem sido combatida pelos órgãos competentes, muitas vezes com a ajuda dos plagiados que, inclusive, estão procurando o judiciário para fazer valer seus direitos autorais contra os falsários.

E a mesma internet que ajuda o plagiador, também ajuda os verdadeiros autores, uma vez que estes últimos também tem facilidade para pesquisar possíveis plágios de suas obras.

O plágio, conforme se vê na imprensa, também ocorre em outros países. A única diferença é que lá fora, nos países desenvolvidos, existem mecanismos facilitadores na identificação de plágio, com maior facilidade de punição aos falsários.

Muitas vezes o plagiador é alguém que vive da aparência de pessoa séria e que ainda se acha no direito de exigir probidade dos agentes públicos. Outras vezes, o plagiador, corroborando com sua índole, é apoiador de políticos ladrões, demonstrando que a classe é bem unida. Outras vezes o plagiador tem traços de psicopatia. Mas sempre mantem uma característica, tal seja, A DESONESTIDADE.

O plagiador nunca se lembra que seu ato é covarde, ardiloso e desonesto, e que ele, antes de enganar outra pessoa, está enganando a si mesmo, alimentando a sua frustração intelectual.

Tenho consciência de que a questão do plágio é grave e pelo andar da carruagem não acabará nunca, mas o objetivo com este texto é chamar a atenção para um assunto grave e relevante e, também, bater na cangalha, para ver se criaturas entendem e a face comece a arder.

Até a próxima! 


MARCOS ALVES BARBOSA NETO é Advogado e Vice Presidente da Academia Maçônica de Letras do Leste de Minas – AMLM

quarta-feira, 9 de maio de 2018

O Brasil tem jeito?

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"Será que um dia entraremos no rol das nações consideradas civilizadas, desenvolvidas, onde a dignidade humana existe de fato? Queria tanto acreditar que sim, mas por mais que eu tente, ainda não consigo enxergar, a bendita luz no fim do túnel." 

O título deste artigo deve martelar a cabeça de muitas pessoas. Nos perguntamos a cada caso bizarro de crime, corrupção, falta de educação, gente morrendo das mais variadas formas e tantas outras coisas: será que o nosso país tem jeito? Será que um dia entraremos no rol das nações consideradas civilizadas, desenvolvidas, onde a dignidade humana existe de fato? Queria tanto acreditar que sim, mas por mais que eu tente, ainda não consigo enxergar, a bendita luz no fim do túnel.

Recordo o tempo de adolescência quando participava semanalmente de grupo de jovens nos salões das igrejas. Além de assuntos religiosos, debatíamos também as questões sociais, políticas, econômicas e tantos outros temas, pertinentes à época. Talvez nossas discussões fossem infantis demais, por ainda não termos vivido o suficiente, praticamente éramos de pouco idade; mas uma coisa era constante, sonhávamos com dias melhores, acreditávamos que um dia as coisas poderiam ser diferentes, imaginávamos que o nosso país poderia ser diferente.

Do tempo exposto passaram quase três décadas. E a pergunta continua: o que mudou? O Brasil tem jeito? Vi muitos amigos mudarem para outros países, vi tantos outros tentando encontrar o famoso “lugar ao sol” em outras cidades, pessoas que talvez eu nunca mais veja e que talvez tenha até encontrado seus objetivos, algo que torço para que tenha acontecido. Mas dos que ficaram e que pelas casualidades da vida nos encontramos, quando algum assunto surge, logo em seguida a aparece a “velha” pergunta: será que o Brasil tem jeito? Mas hoje com uma diferença, infelizmente, parece que praticamente ninguém acredita mais que acontecerá uma mudança que seja dignamente satisfatória para toda a sociedade.

Estamos a cada dia nos tornando uma nação de incrédulos socais e políticos. A desconfiança é tanta que não nos importamos com mais nada. Preferimos a alienação, não nos envolvermos com temas políticos/sociais, preferimos manter uma distância de tudo aquilo que nos remete a debater o que acontece com a nossa nação. As palavras de Bertold Brecht, em seu texto “O analfabeto político” nunca foram tão reais, parecem que foram escritas hoje pela manhã.

Agora, o Brasil tem jeito? Claro que sim. Para isto basta que ele deixe de ter uma massa de analfabetos políticos, sociais, econômicos… de pessoas que preferem viver nas mais diversas formas de mediocridade. Só deixaremos de ser o que somos, quando tivermos a coragem de enxergar o que nos fazem todos os dias, o que e como nos oferecem o retorno do nosso suor (impostos). Só deixaremos de ser o que somos, quando pararmos de seguir e apoiar os mesmos que nos roubam a dignidade. Quando acreditarmos que somos o dono da nossa própria história. Enquanto este dia não chega, vamos continuar perguntando: o Brasil tem jeito?

Walber Gonçalves de Souza é professor e membro das Academias de Letras de Caratinga (ACL), Teófilo Otoni (ALTO) e Maçônica do Leste de Minas (AMLM).


sexta-feira, 4 de maio de 2018

Lançamento 3º Volume da série "OBREIROS EM TEMPO DE ARTICULAÇÂO"

Lançamento 3º Volume da série "OBREIROS EM TEMPO DE ARTICULAÇÂO"


A solenidade aconteceu no sábado, 28 de abril de 2018, em um dos templos da sede do Grande Oriente do Brasil - Minas Gerais, em Belo Horizonte.
A obra foi prefaciada pelo Eminente Irmão Claudio Willian Alves, escrita por 42 autores, vencedores do III Concurso Literário do GOB-MG, coordenada pela Grande Secretaria de Educação e Cultura, com a chancela da AMLM - Academia Maçônica de Letras do Leste de Minas e o apoio da FUnec - Fundação Educacional de Caratinga.



O primeiro volume da Obra teve como tema central “Educação e Cidadania” e, o segundo volume a “LIBERDADE DE EXPRESSÃO”, Este terceiro volume aborda o tema “CORRUPÇÃO – A RAIZ DE TODOS OS MALES”.
A obra foi organizada por Eugênio Maria Gomes e escrita pelos seguintes autores: 

Adenilson Júnior Souza Cunha Júnior
Afranio Moraes de Oliveira
Alessandro Carvalho de Sousa
Alexandre Julião Dias
Álisson Lívio Gonçalves Corrêa
Antônio Pereira da Silva
Carlos José Pereira de Oliveira
Clescio Galvão Galvão
Danilo Bruno Louro de Oliveira
Djalma Diniz
Eduardo Luiz da Mata Gonçalves
Élcio José Martins
Ezio Leonardo de Melo Marques
Flavio de Abreu Radamarker
Franklin dos Santos Moura
Gil Ferreira de Mesquita
Glauber Santos Soares Santos Soares
Guilherme Augusto Vieira Dib
Helio Rezende Rezende
Henrique Guimarães Silva
Itair Camargo
José Antonio de Mattos
José Maria Carvalho Maria de Carvalho
José Ronaldo Viega Alves
Josellio Carvalho Medeiros de Freitas Carvalho
Júlio César Ferreira
Kleber de Souza Duarte
Luan Francisco Magalhães Claudino
Luiz Gustavo de Oliveira
Marcos Miguel da Silva
Maria Carolina Fernandes Oliveira
Milton Roberto de Castro Teixeira
Milton Narita Yoshio Narita
Nathália da Silva Alves
Reinaldo Sérgio Garcia
Rocelito Paulo Pinto
Rodson Silva Morais
Rogério Vaz de Oliveira
Sócrates Queiroz
José de Queiroz dos Santos
Thales Aguiar Alves
Thiago Ribeiro de Carvalho
Walber Gonçalves de Souza

Na oportunidade a AMLM deu posse ao novo membro correspondente Alessandro Carvalho de Sousa e homenageou o Eminente Irmão Cláudio William - Grão Mestre do GOB-MG - e a professora Miriam Mangelli - presidente da Fundação Educacional de Caratinga, com a medalha da Academia Maçônica de Letras do Leste de Minas.
 
O mestre de cerimônias foi o ilustre e poderoso Irmão Omar Magalhães e o cerimonial ficou por conta de Solange Araújo e equipe (Clara Isis Gomes Gustavo Dutra Angélica Alves Renata Alves JB, José CarlosMetal Silvia Araujo, Custódio Neto e Isabelle Liz Araújo Bueno Guzella. A apresentação musical ficou por conta de Lorena Soares e tivemos o importante apoio de Mayara e Rafael Avelar. 
A Unec TV esteve presente e registrou toda a solenidade.
Comemorando os 10 anos de literatura, o Ir:. Eugênio Maria Gomes recebeu uma placa de homenagem do GOB-MG.
















quinta-feira, 3 de maio de 2018

É preciso saber viver!

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"Eu quero saber viver… Mas, não é de qualquer forma não. Quero aprender a viver com a sinceridade, com a capacidade de amar, com a alegria e com a dignidade de um portador da Síndrome de Down."

No dia 21 de março, comemorou-se o Dia Internacional da Síndrome de Down. Um dia a nos lembrar que o portador da síndrome não precisa de caridade ou de comiseração, mas, de respeito, de amor, assim como todos nós também precisamos. A diferença é que nós exigimos isso e, quando não conseguimos, nos rebelamos. Já o portador da síndrome nada exige e continua, graciosamente, a nos dedicar atenção, carinho e amor.

Ah, se eu pudesse, iria querer de todos tudo aquilo que é possível receber de um portador da Síndrome de Down… Eu queria poder dizer, em alto e bom som, que:

– Eu quero um abraço… Mas, não é um abraço qualquer. Quero um abraço apertado, amoroso… Quero um abraço DOWN.

Eu quero um sorriso… Mas, não é um sorriso qualquer. Quero um sorriso franco, gostoso… Quero um sorriso DOWN.

Eu quero uma amizade… Mas, não é uma amizade qualquer. Quero uma amizade leve, sincera… Quero uma amizade DOWN.

Eu quero um olhar… Mas, não é um olhar qualquer. Quero um olhar penetrante, cheio de mistérios… Quero um olhar DOWN.

Eu quero um afago… Mas, não é um afago qualquer. Quero um afago respeitoso, carinhoso… Quero um afago DOWN.

Eu quero um amor… Mas, não é um amor qualquer. Quero um amor perfeito, eterno… Quero um amor DOWN.

Eu quero saber viver… Mas, não é de qualquer forma não. Quero aprender a viver com a sinceridade, com a capacidade de amar, com a alegria e com a dignidade de um portador da Síndrome de Down. Assim, todos os que conviverem comigo poderão receber o melhor de mim. Sim, porque quem convive com um DOWN recebe o melhor abraço, ganha o mais belo sorriso, vive a mais profunda amizade, fita o mais terno olhar e ganha o mais gostoso afago. É que o portador da Síndrome de DOWN tem um cromossoma a mais: o cromossomo do amor!

Há de chegar o dia em que não precisaremos mais ter uma data específica destinada a chamar a atenção das pessoas sobre a Síndrome de Down e sobre os seus portadores. Se agirmos com a mesma sinceridade, com o mesmo respeito e com o mesmo amor que os portadores da síndrome, em breve teremos um dia, apenas, para comemorar a existência dessas pessoas mais que especiais. Teremos um dia para mostrar ao mundo a nossa felicidade, pois quem tem um Down, tem tudo!

EUGÊNIO MARIA GOMES é professor e escritor. Pró-reitor de Pesquisa, Pós-graduação e Extensão do Unec, membro do Lions Itaúna, da Loja Maçônica Obreiros de Caratinga e do MAC – Movimento Amigos de Caratinga. Membro das Academias de Letras de Caratinga e Teófilo Otoni e presidente da AMLM – Academia Maçônica do Leste de Minas. Grande Secretário de Educação e Cultura do GOB-MG.

quarta-feira, 25 de abril de 2018

Despacito

homem preso tempo ampulheta


Como anda o seu ritmo de vida? Sem tempo para uma cerveja com os amigos? Não está conseguindo sentar-se à mesa para almoçar com a família? Não tem conseguido viajar, ir ao cinema ou assistir a uma partida de futebol? Essas perguntas foram surgindo na medida em que o cantor Luis Alfonso Rodriguez Lopez – o Luis Fonsi -, cantor e compositor porto-riquenho, cantava a música “Despacito” no programa do Faustão. Ao final do número, ele respondeu a um questionamento do apresentador dizendo que “É preciso levar a vida mais devagar”.

Vivemos numa correria sem fim. E não é apenas por conta do trabalho não, mas em função das muitas atividades que precisamos desenvolver em um mesmo dia: estudar, trabalhar, ler, escrever, ser pai e mãe, ser filho, usar redes sociais e o whatsapp, alimentar-se, comprar, aprender, ensinar… São muitas as atividades em um só dia. São coisas importantes? Sim, são. Como também são importantes ações como tomar banho, cuidar da saúde, hidratar-se, rir, divertir-se, descansar, conversar, respirar, rezar, passear, exercitar-se, enfim, uma infinidade de atividades que precisamos desenvolver nesse mundo moderno e corrido em que vivemos.

Porém, vai chegando um momento em que é preciso diminuir o ritmo. Não sei se por conta da proximidade dos sessenta anos, mas sinto que é preciso andar mais devagar em relação a algumas atividades… Acho que está na hora de riscar a pressa do meu cotidiano.

Mas a questão é um pouco mais complexa do que parece. Não se trata apenas de fazer as coisas mais devagar, ou abdicar de umas em favor de outras. Trata-se, na verdade, de iniciarmos uma profunda mudança no nosso estilo de vida, nos nossos objetivos, nas nossas prioridades. E isso só será alcançado, se fizermos uma profunda reflexão sobre como estamos lidando com o trabalho, com as atividades sociais, com a família, com as relações amorosas, com as mídias sociais, com o mundo que nos cerca, enfim.

O reconhecimento de que “algo está errado” já é perceptível, claramente, em muitas situações diferentes. Não apenas no campo individual – nunca fomos tão obesos, nunca fomos tão deprimidos, nunca fomos tão solitários, nunca tivemos tantos conflitos interpessoais -, mas também no âmbito coletivo, com a violência, a degradação, a miséria, bem como no âmbito internacional, com guerras e conflitos intermináveis.

Hoje, há um movimento denominado “Movimento Slow”. Movimento Devagar, numa tradução livre. Nasceu a partir de outro movimento, o “slow food”, ou coma devagar. Em oposição ao “fast food” idealizado pelos americanos, o “slow food” prega justamente o contrário. Preconiza que se coma devagar, que se prepare a comida, que se reúna a família e os amigos à mesa, que se saboreie os alimentos, que se aprecie a dádiva e o prazer de alimentar-se.

O denominado “fast food” apresenta muito mais malefícios do que parece. Não se trata apenas de comida de má qualidade. Trata-se de personificação de um estilo de vida, onde a pressa, a industrialização, a rapidez e a massificação se impõem como um estilo, uma postura diante da vida. Por que temos que comer rápido, em pé, normalmente sozinhos, uma comida insípida? Sem cor, sem sabor, sem amor? Porque é assim que se ganha dinheiro. Come-se rápido para que se volte rápido para o trabalho. Assim, alguém ganha mais dinheiro. Depois, adoecemos de obesidade, de diabetes, de elevados índices de colesterol. Assim, alguém ganha mais dinheiro, com remédios e hospitais. Sim, há uma lógica, uma perversa lógica ocultamente imposta a nós através de um simples hábito de lanchar em uma lanchonete. Alguém já viu algum banqueiro ou rentista comendo Hambúrguer? A elite financeira mundial, notadamente a americana, é ávida consumidora de cardápios frugais, normalmente dietas balanceadas, saborosamente consumidas e regadas a um bom vinho.

O movimento “slow”, mais amplo que o “slow food”, preconiza que vivamos em um ritmo mais adequado para o nosso bem-estar pessoal, social, comunitário e ambiental. Esse movimento contraria a lógica da massificação, da impessoalidade e da rapidez presentes no “fast food” e cruelmente imposto a todos, pela globalização.

Essa tendência “slow” tem se espalhado pela Europa, alargando-se a outras áreas de ação como a saúde, crianças e educação, turismo, preservação do patrimônio e das tradições, relacionamentos, conciliação da vida pessoal e profissional, lazer, vida familiar etc.

O Slow Movement é uma corrente moderna, baseada numa filosofia de vida que desafia a cultura da velocidade, do excesso e da quantidade sobre a qualidade. No mundo atual, frenético da pressa e da sobrecarga, essa filosofia defende que tentemos viver no ritmo certo, privilegiando a qualidade, o equilíbrio e o bem-estar, nas diferentes áreas da vida. Não é objetivo do slow movement negar o que tem sido conquistado até o presente momento. Ele reconhece as importantes virtudes do mundo ocidental nas conquistas dos direitos humanos, da equidade e qualidade de vida, porém, o Movimento Slow surge como a expressão de um modelo alternativo perante as crises do mundo atual e do atual modelo de desenvolvimento. Essas dificuldades são bem visíveis nas assimetrias e desequilíbrios que vivemos, quer no Norte, quer no Sul do Planeta, nas nossas relações pessoais, claramente deterioradas em função da multiplicidade de tarefas que nos impomos, onde não há tempo para tudo, e consequentemente, todos ficam insatisfeitos.

Sua ideia geral baseia-se na necessidade de abrandar e de dar mais valor ao essencial, à qualidade e ao que realmente é importante. Somente em uma sociedade que não seja demasiadamente rápida se consegue esse aprofundamento, essa qualidade de vida.

Viver num ritmo slow é procurar viver num ritmo equilibrado que seja bom para o corpo e bom para a mente, bom para os relacionamentos, para as sociedades e comunidades e para o planeta, é um modelo de equilíbrio para viver melhor sabendo quando é necessário abrandar ou acelerar, não deixando que o abrandamento se torne estagnação, nem deixando que a aceleração se torne maníaca. Não é por acaso que houve um altíssimo incremento na produtividade dos trabalhadores franceses e alemães quando esses países diminuíram a jornada semanal para trinta e cinco horas, em oposição aos americanos e ingleses que não fizeram o mesmo. Trabalhar menos, não significa produzir menos, mas sim, produzir melhor. Deixando mais espaço para os outros aspectos na nossa existência. Vivemos para sermos felizes, não para sermos escravos de nossas tarefas.

Viver mais devagar, observar nossos ritmos individuais, humanizar os relacionamentos e priorizar o que é prioritário. Consumir menos, ter menos coisas para cuidar, menos coisas para fazer, para, assim, cuidarmos melhor do que temos, e fazermos melhor o que fazemos.

Enfim, fazermos o que precisamos fazer, não aquilo que nos impelem a fazer, não o que nos obrigam a fazer, mas fazermos o que queremos fazer, e sempre que possível, fazermos tudo bem despacito!

* Eugênio Maria Gomes é professor e escritor. Pró-reitor de Pesquisa, Pós-graduação e Extensão do Unec, membro do Lions Itaúna, da Loja Maçônica Obreiros de Caratinga e do MAC – Movimento Amigos de Caratinga. Membro das Academias de Letras de Caratinga e Teófilo Otoni e presidente da AMLM – Academia Maçônica do Leste de Minas. Grande Secretário de Educação e Cultura do GOB-MG.

segunda-feira, 23 de abril de 2018

A mentira em forma de verdade

computador internet fake news


Informações, informativos, notícias, comentários, matérias e opiniões. A rede social misturou crenças, raças e credos, transformando o meio digital em uma zona de conflito onde todos se acham heróis salvadores de todos os males que afligem a sociedade.

Aproximou as distâncias e distanciou os próximos, canalizou o mundo na palma da mão que segura um simples celular, sendo essa mesma que mantém seguro um aparelho eletrônico e se mantém presa ao mundo digital, esquecendo-se de fazer um afago ao seu filho que acaba se isolando neste mundo virtual, reflexo da educação recebida pelos pais modernos.

Para onde a sociedade está caminhando?

Será que a bússola que direciona a sociedade está oscilando tanto ao ponto de ficarmos andando em círculo sem saber para onde ir?

O termo, mais usado ultimamente chama-se “FAKE”, ou seja, discussão e mais discussão por causa de informações falsas em que pessoas de alto nível intelectual curtem, compartilham, sem ao menos analisar do que se trata tal notícia.

Pessoas estão morrendo, famílias estão se desfazendo, a sociedade está ficando cada vez mais intolerante entre si por causa de informações que muitas vezes são falsas.

Está muito fácil acusar, apontar o dedo, dizer que a culpa é da rede televisiva, que é por causa do partido político A ou B. Os direitos são lembrados a todo instante, mas os deveres nem sequer são citados para lembrar que nós, homens livres e de bons costumes, devemos agir para tornar assim feliz a humanidade, pelo amor, pelo aperfeiçoamento dos costumes e pelo respeito à autoridade e crença de cada um.

Se falar de amor é tão fácil, por que vimos tanta erva daninha da falsidade, do ódio, da traição espalhada pelo mundo?

Basta observar as intolerâncias religiosas, mortes, massacres em nome de “DEUS”, pessoas sendo espancadas devido a uma opção sexual que não condiz com a sua, pessoas sendo excluídas devido à alta ou baixa produção de melanina que define a tonalidade da cor de nossa pele. Onde está a semente do amor, que não brota nesses corações rígidos, inférteis e sem luz?

Literalmente, o cultivo da semente do amor não é tão simples quanto a sua palavra, ela necessita de cuidado o tempo todo, ser sempre regada com palavras de doçura e carinho para, então, fazer brotar a planta que todos almejam ter no jardim da sua vida.

São as atitudes nobres que levam ao preparo de um solo fértil, para que a semente do amor possa se desenvolver com força e resistir a toda vicissitude..

A erva daninha do ódio e de tantos outros adjetivos que podemos traçar para esta praga que acaba sufocando a semente do amor, ao contrário, é planta fácil de ser cultivada e praticamente não necessita do seu plantio e nem tão pouco de cuidados, basta apenas não se pensar no amor que logo começa a brotar tal praga.

Amor, palavra fácil de pronunciar e tão difícil de definir, mas todos sabem ao certo o seu significado. Não se deixe enganar pela facilidade, pois o amor produz uma das sementes mais difíceis de serem cultivadas.

Quando projetamos em nossa mente o que acreditamos ser amor, lançamos a semente, tão linda quanto o nascer do sol e tão frágil quanto uma criança recém-nascida, que necessita de auxilio e atenção.

Devemos, sim, atentar para todas as informações que chegam aos nossos olhos e analisar cuidadosamente antes de passá-las adiante.

Não devemos acreditar em tudo o que está publicado nas redes sociais como fato verdadeiro, desvirtuando a realidade e devemos perguntar sempre, pois toda pergunta merece uma resposta e toda resposta é indispensável a uma serena reflexão.

VITOR MODESTO BRAZ é Agrimensor e Acadêmico de Direito, Membro da Loja Maçônica Cavaleiros da Fraternidade nº 67 – Grande Loja Maçônica do Estado Mato Grosso, Membro Correspondente da Academia Maçônica de Letras do Leste de Minas.